Gotas de poesia

29 de dezembro de 2019 Off Por Pedro Taunay Graça Couto
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Poesia Parnasiana

Daniela Diana

Daniela DianaProfessora licenciada em Letras

Poesia Parnasiana reflete o realismo poético, embora existam pontos discordantes entre os dois movimentos.

Na Poesia Parnasiana, a estética é traduzida pela “arte pela arte” ou, ainda, a “arte sobre a arte”. É o movimento da perfeição literária.

Características

  • Endeusamento à forma perfeita
  • Rigidez dos versos
  • Postura anti-romântica
  • Objetividade Temática
  • Negação ao sentimentalismo
  • Impessoalidade
  • Impassibilidade
  • Descrições objetivas
  • Culto à arte da Antiguidade Clássica
  • Rima rica, rara e perfeita

Influências

O Parnasianismo é um movimento literário surgido na França e tem como inspiração o Parnaso Contemporâneo, o monte grego consagrado a Apolo, deus da luz e das artes. O monte ainda é uma homenagem às musas mitológicas ligadas à arte.

Poesia Parnasiana Brasileira

A Poesia Parnasiana reflete a reação na literatura poética às grandes transformações ocorridas ao fim do século XIX e início do século XX. Essa mesma estética da perfeição inicia-se no ao fim da década de 1870.

Em 1878, os jornais cariocas passam a exibir o movimento que ficou conhecido como Batalha do Parnaso. O Parnasianismo perdura até a Semana de Arte Moderna de 1922.

A perfeição, contudo, não impõe a subjetividade. Ao contrário, a Poesia Parnasiana assume uma clara postura anti-romântica. Há o culto à forma, uma objetividade temática que surge tendo a negação ao sentimentalismo típico e claro do Romantismo.

A Poesia Parnasiana ainda incita a impessoalidade e a impassibilidade. O resultado ao abandono do subjetivismo, considerado decadente, é uma poesia universalista, tendo como marca descrições objetivas e impessoais.

Autores

Os autores brasileiros que assumem o modelo Parnasiano de maior destaque são Olavo Bilac, Raimundo Corrêa e Alberto de Oliveira. Juntos, formam a chamada Tríade Parnasiana.

Os autores ainda lançam mão do racionalismo e das formas perfeitas, típicas da Antiguidade Clássica. O resultado é uma poesia de meditação, com indução ao pensamento filosófico.

O culto à arte da Antiguidade Clássica também é marcante neste movimento. Assim, a forma fixa apresentada é a de sonetos tendo a métrica revelada por versos alexandrinos – que têm 12 sílabas – e os versos decassílabos perfeitos.

A rima deve ser rica, rara e perfeita. Ou seja, há o endeusamento da forma. Tudo isso contrapondo-se aos versos livres e bancos. Em suma, é o endeusamento da forma.

Alberto de Oliveira (1857-1937)

Alberto de Oliveira é considerado um dos mais fieis autores do Parnasianismo no Brasil. O autor começa a seguir as caraterísticas da Poesia Parnasiana a partir de sua segunda obra, “Meridionais”. O livro é considerado o mais perfeito de todos as obras parnasianas.

A temática de Alberta Oliveira ficou restrita ao âmbito das rigorosas determinações da escola. Entre eles, uma poética descritiva que abrangia desde a natureza até meros objetos, com exaltação clara às formas.

Uma impassibilidade por vezes traída pelos tons intimistas de alguns sonetos, o culto da arte pela arte e a exaltação da Antiguidade Clássica.

Em seus poemas, deve-se destacar a perfeição formal, a métrica rígida e a linguagem extremamente trabalhada, que às vezes chega ao rebuscamento.

Seus poemas mais conhecidos são os: “Vaso Grego”“Vaso Chinês” e “A estátua“.

Vaso Chinês

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármore luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim