Poetas Contemporâneos

28 de janeiro de 2020 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

Bruna Mitrano

poetas

Lançando seu primeiro livro agora em setembro pela editora Patuá, Bruna Mitrano, além de escrever, também produz ilustrações verdadeiramente viscerais. Aliás, não só as ilustrações, mas também os poemas trazem essa visceralidade do corpo, com fortes referências a loucuras, mendigos, bichos, enfim, a uma certa selvageria da vida. Pegando emprestado o verso de um dos seus poemas, a poesia e a arte da Bruna são um profundo “rasgo imprevisto na carne”.

“ela pediu pra eu não enlouquecer
parei de tomar os remédios pra tentar ser gente
mas uma chuva forte caiu
era janeiro
e me escorreguei
perdi o senso
disseram
é temporário
os tremores noturnos
a matriz de uma ânsia descabida
os rostos na janela
todas as noites
os rostos que catequizam as janelas
nas casas sem muro
não há o que se ver que não sobrecarregue a carne
o corpo ainda sente
curva-se ao inevitável
tomba no meio da rua e conclui
não se dá as costas pra morte
há sempre um diagnóstico
preto no branco