Arquivos maio 2017

saber mais

Paterson
.

Poeta fundamental numa tradição de gigantes, a poesia norte-americana, em que cada autor parece estar observando o mundo pela primeira vez e inventando a linguagem poética (…). Dentro desta tradição, William Carlos Williams se destaca por sua capacidade de transformar todo assunto ou objeto em matéria poética. Daí sua atenção toda peculiar ao fugaz e ao diminuto, ao aparentemente desimportante, enfim.

A poesia surge do mais inesperado solo… “Ele continua a arrebentar rochas e rachar poemas”. (T.S. Eliot numa carta de fevereiro de 1959, aludindo a um de seu poemas mais conhecidos, “Uma espécie de canção”.

(comentário de José Paulo Paes publicado
no livro “Poemas”. Companhia das Letras, 1987)


Ai que quiere,
Ao que quer,
1917

Sour Grapes,
Uvas Azedas,
1921

Spring and all,
Primavera e o mais,
1923

Collected Poems (1921-1931),
Poemas Reunidos,
1934

An Early Martir,
Um mártir precoce,
1935

Adam an Eve
and a City,
Adão e Eva e a cidade,
1936

The Complete
Collected Poems
(1906-1938),
Poemas reunidos completos,
1938

The Broken Span,
O vão rompido,
1941

The Wedge,
A cunha,
1944

The Clouds,
As nuvens,
1948

The Collected
Later Poems,
Poemas ulteriores reunidos,
1950

The Desert Music
and other Poems,
A música do deserto
e outros poemas,
1954

Journey to Love,
Jornada ao amor,
1955

Pictures
from Brueghel,
Quadros de Brueghel,
1962

Paterson,
Paterson,
(1946-1958)

 

 

Arte Pau Brasil

Livraria Cultura

Submarino

Livraria Loyola Virtual

 

Amazon.com

Barnes and Noble

Fatbrain.com

Borders.com

 

“Copiar a natureza é uma atividade invertebrada.[…] Mas imitar a natureza envolve o uso da palavra e então nós mesmos nos tornamos a natureza, inventando assim um objeto que é uma extensão desse processo”.

§

“A verdade é que as notícias de jornal  oferecem o justo incentivo para a poesia épica, a poesia dos acontecimentos. […] O poema épico teria de ser o nosso ‘jornal’. Os Cantos de Ezra Pound são um equivalente algébrico disso, mas um equivalente tão perversamente individual que não alcança ser compreendido universalmente como seria mister. […] Terá de ser um estilo épico conciso, de pontaria certeira. Estilo de metralhadora “.

 

 

O LAVRADOR

Perdido em pensamentos o
lavrador passeia sob a chuva
por seus campos vazios, mãos
nos bolsos,
na cabeça
a colheita já plantada.
Um vento frio vem encrespar a água
entre as ervas tostadas.
Por toda parte
o mundo rola friorento para longe:
negros pomares
escurecidos pelas nuvens de março –
deixando espaço livre aos pensamentos.
Lá embaixo, além da galharia
rente
ao carreiro encharcado de chuva
assoma a figura artista do
lavrador – compondo
– antagonista

(tradução:  José Paulo Paes)

 

O POEMA

Tudo está
no som. Uma toada.
Raramente uma canção. Devia

ser uma canção – feita de
minúcias, vespas,
uma genciana – algo
imediato, tesoura

aberta, olhos
de uma dama – despertando
centrífuga, centrípeta.

(tradução:  José Lino Grünewald)

 

PRELÚDIO AO INVERNO

A mariposa sob as goteiras
com asas como
a casca de um tronco, estende-se

e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.

(tradução:  José Lino Grünewald)


pablo-neruda-rosto

*

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
– há fábricas de dias que virão –
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda )

*


Facebook Twitter Gplus YouTube RSS

Pablo Neruda – Poemas

Pablo Neruda – Poemas Traduzidos

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda )


Biografia relata a inquieta vida do poeta piauiense Torquato Neto

Livro conta a história de um dos principais nomes do tropicalismo.
Torquato nasceu em Teresina e se matou aos 28 anos no Rio de Janeiro.

Pedro SantiagoDo G1 PI

A biografia que conta a conturbada e inquieta vida do multiartista piauiense Torquato Neto ganhou uma segunda edição neste mês de abril. O volume relata a história do menino que saiu do Piauí para Salvador e passou por São Paulo, Londres, Paris e Rio de Janeiro. Período em que fez filmes em super-8, foi peça chave do tropicalismo, autor de grandes letras e poemas, escreveu colunas sobre cultura, rompeu amizades famosas, organizou uma revista de poesias (Navilouca), tendo se entregado ao gás e à morte no dia do seu 28º aniversário, no ano de 1972.

Biografia de Torquato Neto ganha uma segunda edição (Foto: Divulgação/Nossa Cultura)Biografia de Torquato Neto ganha uma segunda
edição (Foto: Divulgação/Nossa Cultura)

O jornalista curitibano Toninho Vaz passou dois anos para entrevistar 74 pessoas (em Teresina, Rio e São Paulo) e escrever as 408 páginas que compõem o livro. Para o autor, Torquato Pereira de Araújo Neto era um poeta sensível e inconformado, um polemista inteligente e corajoso e, uma das figuras mais carismáticas da sua geração.

Em entrevista ao G1 por e-mail, Vaz afirma que é um grande admirador da pequena (em quantidade) obra do piauiense, e que faz parte de um seleto grupo que luta para que Torquato tenha a importância que merece. “Torquato era pouco conhecido e ainda continua, apesar dos meus esforços. De todos os tropicalistas de primeira hora ele é o maior mistério”, disse.

G1 – Você conheceu Torquato pessoalmente?
TV – Não, eu apenas vi o Torquato na plateia do Teatro Teresa Raquel, durante um show de música, quase dois anos antes da morte dele.

G1 – Como você conheceu a obra de Torquato Neto e como decidiu biografá-lo?
TV – Eu era leitor da coluna do Torquato no jornal Última Hora, que eu recebia em Curitiba. Fui muito influenciado por ele, pois segui também pelo jornalismo cultural, falando de cinema e música, de arte de um modo geral.

G1 – Esta é a 2ª edição da Biografia do Torquato Neto. Quando foi lançada a primeira edição?
TV – Foi lançada em 2006 pela editora Casa Amarela, que não existe mais.

G1 – Como foi o processo de pesquisa para o livro? Quantas pessoas foram entrevistadas e quanto tempo você passou para fazê-lo?
TV – Entrevistei pessoalmente 74 pessoas em Teresina, Rio e São Paulo durante dois anos, incluindo a escrita.

G1 – Além do seu livro, que agora volta às livrarias, e dois inéditos que foram lançados regionalmente em Teresina (O Fato e A Coisa e Juvenílias), a obra de Torquato ficou fora de catálogo por um longo tempo. Isso prejudica o acesso da nova geração a obra do poeta? Qual sua opinião sobre essa ausência?
TV – Torquato morreu aos 28 anos, quando ainda não estava nem na maturidade intelectual. Ou seja, a sua obra não é extensa, muito pelo contrário, cabe em apenas um livro ou dois volumes que consideram também a produção jornalística. Importante saber que ele não trabalhava no sentido de produzir ou publicar um livro. A primeira edição de seus poemas e textos acontece depois de sua morte. Pode-se considerar que ele idealizou apenas a revista NAVILOUCA, reunindo poetas amigos, que foi publicada dois anos depois de sua morte.

(Torquato) Nunca teve o merecido reconhecimento e continua não tendo”
Toninho Vaz

G1– Qual lado de Torquato Neto que não é conhecido do público e que o livro mostra?
TV – Bem, o Torquato era pouco conhecido e ainda continua, apesar dos meus esforços. Seus admiradores são fiéis seguidores, mas formam um pequeno e seleto grupo. De todos os tropicalistas de primeira hora ele é o maior mistério. No meu livro ele é mostrado na intimidade revelada por seus amigos e colegas.

G1 – Como era a relação do poeta com sua terra natal, Teresina?
TV – Tristeresina é um poema (texto) escrito por ele e que praticamente sintetiza esta relação, identificada pelos acadêmicos como “a cidade subjetiva de TN”:
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento à minha idade

G1– Torquato Neto tem o reconhecimento que merece?
TV – Nunca teve o merecido reconhecimento e continua não tendo. De certa forma, Torquato sempre foi identificado como um poeta maldito, não no sentido bíblico, mas no sentido literário pelo romantismo típico de quem está disposto a morrer por amor, pela liberdade ou pela poesia. É uma herança da poesia francesa pós-Francois Villon, considerado o primeiro poeta maldito.

G1– Em 2014, foram lembrados os 50 anos do Golpe Militar. Como foi a relação do poeta com o regime?
TV –  Torquato, como jornalista que era, foi atingido frontalmente pela ditadura, que mantinha um representante da Censura na redação, para tudo fiscalizar. Antes, como estudante, foi um dos últimos a sair do prédio da UNE (União Nacional dos Estudantes), no bairro Flamengo, antes do incêndio provocado pela turma da direita furiosa. Não foi preso, como aconteceu com Caetano e Gil, mas resolveu partir para o exílio em Londres e Paris. Sua depressão final acompanha a escalada de violência política determinada pelo AI 5, ato institucional que acabou com o que ainda restava de liberdade democrática.

G1 – O que mais o fascina na figura de Torquato Neto?
TV – A coragem e o inconformismo, elementos de grande relevância quando se vive sem liberdades. Ele foi intransigente na militância anárquica.

G1 – A biografia escrita por você sobre o poeta Paulo Lemniski foi barrada por familiares do poeta. Qual sua opinião sobre as biografias autorizadas, que ganhou notoriedade por conta da atuação controversa da associação Procure Saber? Essa questão foi superada?
TV – Minha biografia do Leminski foi censurada pela família quando estava entrando na gráfica. Portanto, a questão ainda não foi superada, pois o veto e a obrigatoriedade de autorização prevalecem, esperando que a Câmara dos Deputados, em Brasília, analise o pedido de revisão do Código Civil. Enquanto escrevo, neste momento, tenho a informação sigilosa de que o veto vai cair, talvez em uma semana. Será?

Toninho Vaz, autor da biografia de Torquato Neto (Foto: Divulgação)Toninho Vaz, autor da biografia de Torquato Neto (Foto: Divulgação)

 

tópicos:

veja também

Toda a obra do poeta chileno Pablo Neruda atesta a sua genialidade e sua grande sensibilidade poética, sobretudo quando o assunto é amor.

Abaixo, a Revista Pazes selecionou 3 de seus poemas dentre os capazes de fazer com que o nosso coração acelere ao lê-los.

Para saber mais sobre a biografia de Neruda, visite a Biografia de Pablo Neruda.

Não te quero

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


“Teu riso”, um poema de Pablo Neruda capaz de tirar o fôlego de quem ouve ou lê

Compartilhar no Facebook
Tweet no Twitter

MD-01 Madrid.- Pablo Neruda creó algunos de los versos que más se han oído y recitado a lo largo del siglo XX y XXI. Pero, además de ser el poeta del amor y del compromiso, tuvo una gran producción literaria que ha quedado reunida en un volumen titulado “Nerudiana dispersa II”, sobre el que cuyo editor, Hernán Loyola, habló con EFE en una entrevista. En la foto de archivo (Mayo, 1956) Neruda en Budapest, con el puente de la libertad sobre el Danubio al fondo. EFE/MTI‚1W

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.


Andar Andei
Torquato Neto

exibições
5.416

não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou

não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem

quero dizer
nossa graça
(tenemos)
é porque não esquecemos
queremos cuidar da vida
já que a morte está parida
um dia depois do outro
numa casa enlouquecida
digo de novo
quero dizer
agora é na hora
agora é aqui
e ali e você
digo de novo
quero dizer
a morte não é vingança
beija e balança
e atrás dessa reticência
queremos
quero viver