28 de maio de 2017 Off Por Pedro Taunay Graça Couto
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Paterson
.

Poeta fundamental numa tradição de gigantes, a poesia norte-americana, em que cada autor parece estar observando o mundo pela primeira vez e inventando a linguagem poética (…). Dentro desta tradição, William Carlos Williams se destaca por sua capacidade de transformar todo assunto ou objeto em matéria poética. Daí sua atenção toda peculiar ao fugaz e ao diminuto, ao aparentemente desimportante, enfim.

A poesia surge do mais inesperado solo… “Ele continua a arrebentar rochas e rachar poemas”. (T.S. Eliot numa carta de fevereiro de 1959, aludindo a um de seu poemas mais conhecidos, “Uma espécie de canção”.

(comentário de José Paulo Paes publicado
no livro “Poemas”. Companhia das Letras, 1987)


Ai que quiere,
Ao que quer,
1917

Sour Grapes,
Uvas Azedas,
1921

Spring and all,
Primavera e o mais,
1923

Collected Poems (1921-1931),
Poemas Reunidos,
1934

An Early Martir,
Um mártir precoce,
1935

Adam an Eve
and a City,
Adão e Eva e a cidade,
1936

The Complete
Collected Poems
(1906-1938),
Poemas reunidos completos,
1938

The Broken Span,
O vão rompido,
1941

The Wedge,
A cunha,
1944

The Clouds,
As nuvens,
1948

The Collected
Later Poems,
Poemas ulteriores reunidos,
1950

The Desert Music
and other Poems,
A música do deserto
e outros poemas,
1954

Journey to Love,
Jornada ao amor,
1955

Pictures
from Brueghel,
Quadros de Brueghel,
1962

Paterson,
Paterson,
(1946-1958)

 

 

Arte Pau Brasil

Livraria Cultura

Submarino

Livraria Loyola Virtual

 

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“Copiar a natureza é uma atividade invertebrada.[…] Mas imitar a natureza envolve o uso da palavra e então nós mesmos nos tornamos a natureza, inventando assim um objeto que é uma extensão desse processo”.

§

“A verdade é que as notícias de jornal  oferecem o justo incentivo para a poesia épica, a poesia dos acontecimentos. […] O poema épico teria de ser o nosso ‘jornal’. Os Cantos de Ezra Pound são um equivalente algébrico disso, mas um equivalente tão perversamente individual que não alcança ser compreendido universalmente como seria mister. […] Terá de ser um estilo épico conciso, de pontaria certeira. Estilo de metralhadora “.

 

 

O LAVRADOR

Perdido em pensamentos o
lavrador passeia sob a chuva
por seus campos vazios, mãos
nos bolsos,
na cabeça
a colheita já plantada.
Um vento frio vem encrespar a água
entre as ervas tostadas.
Por toda parte
o mundo rola friorento para longe:
negros pomares
escurecidos pelas nuvens de março –
deixando espaço livre aos pensamentos.
Lá embaixo, além da galharia
rente
ao carreiro encharcado de chuva
assoma a figura artista do
lavrador – compondo
– antagonista

(tradução:  José Paulo Paes)

 

O POEMA

Tudo está
no som. Uma toada.
Raramente uma canção. Devia

ser uma canção – feita de
minúcias, vespas,
uma genciana – algo
imediato, tesoura

aberta, olhos
de uma dama – despertando
centrífuga, centrípeta.

(tradução:  José Lino Grünewald)

 

PRELÚDIO AO INVERNO

A mariposa sob as goteiras
com asas como
a casca de um tronco, estende-se

e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.

(tradução:  José Lino Grünewald)