12 de setembro de 2017 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

sexta-feira, 27 de março de 2015

“Inocência”, Visconde de Taunay

Bom dia, pessoal!

Hoje resolvi escrever para vocês sobre um livro do movimento regionalista da Literatura Brasileira, que retrata o sertão sul-mato-grossense. Este livro foi publicado em 1872, fase já de decadência do Romantismo no Brasil e período de transição para o Naturalismo, movimento que via o ser humano como produto do meio em que vive.
Eu falo de Inocência, livro escrito por Alfredo d’Escragnolle Taunay, que recebeu o título de Visconde de

Visconde de Taunay

Taunay do Imperador D. Pedro II no dia 6 de setembro de 1889, meses antes da Proclamação da República, que elimina títulos nobiliárquicos, como o de Visconde.

Taunay foi um grande estudioso no seu tempo e apreciava as tendências francesas na literatura. Ele procurava promover a arte brasileira no exterior, principalmente em Paris, onde morou.

Inocência, título do livro, dá também nome à protagonista, uma jovem muito bonita que mora com seu pai, Pereira, em uma fazenda no Sertão de Santana do Parnaíba. Seu pai a protege de tudo e de todos e exige dela plena obediência. Inocência está prometida para casar com Manecão, um homem bruto do sertão. No entanto, um dia Inocência adoece e quem vem curá-la é um estudante de Farmácia de Ouro Preto que se diz médico, Cirino. Cirino de fato cura Inocência e se apaixona por ela, mas sabe que seu amor nunca será permitido pelo Sr. Pereira.

Certo dia, o Sr. Pereira recebe uma visita inusitada, é o Dr. Meyer, um naturalista alemão, e seu criado, que diz conhecer o irmão de Pereira. Pereira os convida para ficar em sua casa, juntamente com o jovem Cirino. O Dr. Meyer estuda insetos e está em busca de novas espécies no sertão. O doutor alemão passa a fazer elogios à filha do Sr. Pereira, o que o deixa desconfiado. O fazendeiro, então, incumbe o anão Tico de vigiar o Dr. Meyer e Inocência, porém ele não sabe que o verdadeiro perigo está no coração de outra pessoa.

Inocência é, muitas vezes, comparado à tragédia de William Shakespeare, Romeu e Julieta por tratar de um amor impossível. Alguns o chamam de Romeu e Julieta sertanejo.

Romeu e Julieta

O interessante deste livro de Tauney é que cada um dos 30 capítulos se inicia com citações de grandes autores da literatura, como o próprio Shakespeare, Goethe, Rousseau, Cervantes, Scott, entre outros, que influenciaram a produção do Visconde. Além disso, essas citações comprovam o quão vasto era o conhecimento intelectual de Taunay.

O último capítulo inicia-se com um fragmento de Henrique V, de Shakespeare:

“Então contados os grãos de areia que
compõem a minha vida. É aqui que devo
tomar. É aqui que ela há de acabar”.