Com você Olavo Bilack

24 de setembro de 2017 Off Por Pedro Taunay Graça Couto
 
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13 Melhores Poemas de Olavo Bilack

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilack (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — 28 de dezembro de 1918) foi um jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

Poemas de Olavo Bilac

Quem nunca ouvir falar em Olavo Bilack? Um dos nomes essenciais da poesia brasileira, Bilac, que recebeu o epíteto de “príncipe dos poetas”, foi o principal representante do Parnasianismo, escola literária que rompeu o século XIX e perdurou até meados dos anos de 1920, quando entrou em cena o Modernismo. Sua extensa e peculiar obra ainda hoje é objeto de estudo e admiração, sendo constantemente citada em provas de diversos concursos e vestibulares. Bilack

Olavo Bilack (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilack) nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, no Rio de Janeiro, então capital federal. Foi jornalista, poeta, inspetor de ensino e representante máximo do Parnasianismo, escola literária surgida no Brasil no século XIX, década de 80. Cursou o até o quarto ano da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e, já em São Paulo, deu início ao curso de Direito, também abandonado antes do término. Decidiu então dedicar-se ao jornalismo e à literatura, participando também de campanhas cívicas. É dele a letra do Hino à Bandeira:

HINO À BANDEIRA

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz. Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul. Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amados,
poderoso e feliz há de ser! Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Além das campanhas cívicas, engajou-se também na política tendo, inclusive, colecionado vários desafetos, entre eles o presidente Marechal Floriano Peixoto, a quem fazia oposição. Nessa época escondeu-se em Minas Gerais e, ao regressar para o Rio de Janeiro, então capital federal, foi preso. Passado o período de turbulência, em 1891 foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio de Janeiro. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e, em 1898, assumiu o cargo de inspetor escolar do Distrito Federal, do qual se aposentou pouco antes de falecer, em 28 de dezembro de 1918.

Olavo Bilack é o principal representante do Parnasianismo brasileiro. Ao lado de nomes como Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, Bilack defendeu veementemente a estética parnasiana, cuja principal preocupação era o formalismo e o culto ao estilo, empregando uma linguagem elaborada, constituída por um vocabulário hermético e repleto de referências à cultura greco-romana. O poeta preferiu as formas fixas, sobretudo o soneto, e ao analisarmos sua obra podemos observar a evolução da objetividade parnasiana para uma poesia mais intimista e subjetiva, características encontradas em poemas como Viá Láctea, um de seus mais aclamados.

Para que você conheça os versos do poeta parnasiano mais lido à sua época, o site Escola Educação selecionou quinze poemas de Olavo Bilack que certamente despertarão seu interesse pela obra do escritor, representante maior da estética parnasiana. Desejamos que faça boa leitura!

  1. Poema: Nel mezzo del camin… – Olavo Bilack

Nel mezzo del camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

  1. Poema: XXX – Olavo Bilack

XXX

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

  1. Poema: Dormes… – Olavo Bilack

Dormes…

Dormes… Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!
Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro… e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro
Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!

  1. Poema: Ora (direis) ouvir estrelas! – Olavo Bilack

Ora (direis) ouvir estrelas!

XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

*

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.
Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o vôo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando …
E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação…
Assim por largo tempo andei perdido:
— Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!

  1. Poema: A um poeta – Olavo Bilack

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

  1. Poema: Ao coração que sofre – Olavo Bilack

Ao coração que sofre

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.