cONHECE A POESIA INGLESA?POESIA&VIDA

26 de novembro de 2018 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

Nove autores autores que fazem os ingleses se orgulharem de seu passado literário

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William Shakespeare | Imagem: Thinkstock / Erin McCarthy

Enquanto o continente europeu passava pelo seu processo de expansão marítima, o mundo viu a Inglaterra construir o maior império que já existiu. O país colonizou mais de 20% da superfície terrestre e dizia-se até que o Sol jamais se punha no Império Britânico. Dessa forma, classificar determinados autores como ingleses ou não acaba se tornando uma tarefa pra lá de desafiadora. Não à toa, que nossa lista conta com gente da Índia, da Irlanda e até da Polônia.

No entanto, se hoje os ingleses não se orgulham do seu passado imperialista (ou deveriam não se orgulhar), podem pelo menos se gabar do seu passado literário, tão extenso e rico quanto o Império um dia foi. É de lá que vêm alguns dos mais célebres nomes da literatura mundial, escritores prolíficos que produziram, em ritmo industrial, um acervo quase infinito em prosa, poesia e teatro.

Para manter a coerência e já justificar algumas ausências da lista, o foco foi dirigido a autores que obtiveram maior destaque em prosa, ou que foram determinantes para o modo como se contavam histórias em seu tempo. Lá vai:

1. Geoffrey Chaucer (1343-1400)

Geoffrey Chaucer

Este foi, provavelmente, o maior e talvez o único grande autor vivo na Londres do século XIV. Chaucer nasceu na capital inglesa, no ano de 1340 e sua obra mais famosa é um escrito inacabado, chamado Os Contos de Canterbury, que foi adaptado para o cinema pelo diretor italiano Pier Paolo Pasolini, em 1972, sendo premiado com o Urso de Ouro, em Berlim.

Na história, quatro peregrinos caminham rumo à Catedral de Canterbury, partindo de Londres. Segundo o Google Maps, o trajeto a pé dura aproximadamente 19 horas. Foi combinado que cada peregrino contaria uma história para que o tempo passasse durante a caminhada. Na volta a Londres, quem contasse a melhor história seria presenteado com uma ceia em uma estalagem ao sul da cidade.

Na narrativa, interrompida pela morte de Chaucer, o autor apresenta um resumo da sociedade inglesa na época, com personagens que vão desde o camponeses a nobres. Nela, Chaucer tece críticas à vários aspectos da sociedade inglesa naquele século, entre elas a exploração das classes mais altas pelas mais baixas e também a libertinagem do clero.

2. Thomas Malory (1405-1471)

Entre 1440 e 1460, Thomas Malory foi preso um punhado de vezes, por diversos motivos, que iam desde adultério e pequenos furtos, até divergências políticas com a Dinastia de Lencastre, que então governava o país. Em uma de suas passagens pelo cárcere, o autor escreveu a mais importante obra de literatura inglesa antes de Shakespeare: A Morte de Arthur, que conta as histórias do Rei Arthur e Os Cavaleiros da Távola Redonda.

Este foi um dos primeiros escritos a serem impressos em território inglês, 15 anos após a morte do autor. William Caxton, responsável pela publicação, dividiu o texto em 21 livros, estes divididos por capítulos, embora edições posteriores divirjam da subdivisão, gerando, até os dias atuais, o debate se a obra de Thomas Malory é unitária ou não.

3. Thomas More (1478-1532)

Thomas More

Ao estudar a história da literatura inglesa, encontra-se autores que foram desde líderes mundiais como Winston Churchill, até santos da Igreja Católica, como Thomas More, canonizado no século passado.

O autor é tido como um dos principais nomes do renascimento na Inglaterra, quando as narrativas perdiam seu teor teocentrista e a produção literária fugia dos monastérios, ganhando um viés mais humanista. More publicou Utopia, sua obra mais prestigiada, em 1516.

Dividida em duas partes, Utopia critica a sociedade inglesa, uma civilização que sofre da desigualdade social, criminalidade, guerras recorrentes e uma justiça implacável e brutal. More cria então uma ilha imaginária, de valores invertidos, onde tudo é perfeito. Nela, o Parlamento zela pelo bem estar geral e tanto a propriedade privada quanto o dinheiro não estão relacionados à felicidade.

4. William Shakespeare (1564-1616)

“Há algo de podre no Estado da Dinamarca”, diz Marcelo a Horácio, em Hamlet. Houvesse algo de podre no reino da Inglaterra absolutista, de dura censura política, a peça de Shakespeare dificilmente teria saído do papel.  

O teatro, até então, era o gênero de maior destaque na Inglaterra do século XVI, e foi a ele que Shakespeare dedicou maior parte de seu esforço literário. Suas peças eram encenadas no The Globe, casa teatral onde o dramaturgo já foi ator, autor e sócio, e que foi consumida por um incêndio em 1613, três anos antes de sua morte. Lá, sua obra era apresentada para uma plateia diversificada, que ia desde as classes mais baixas, até a elite intelectual londrina.

O dramaturgo talvez nunca tenha imaginado sua obra como a grandiosidade literária que representa hoje e, por isso, não se preocupava muito com suas publicações. Shakespeare construiu suas tramas para serem encenadas. Graças a dois amigos, Heming e Condell, que se responsabilizaram pela publicação da primeira coletânea de suas peças, logo após sua morte, hoje temos acesso a boa parte de sua obra.

A obra de Shakespeare é bastante vasta, são mais de 150 sonetos escritos, além das peças que vão desde encenações histórias, como Henry VI e King John, a tragédias cheias de fôlego que exploram, em diversos aspectos, a condição humana, como Romeo e Julieta, Hamlet, Rei Lear e Otelo.  

5. Daniel Defoe (1660-1731)

Daniel Defoe

Assim como Thomas Malory, Daniel Defoe também teve seus dias atrás das grades. Sua prisão se deu pela publicação do panfleto “O caminho mais curto com os dissidentes”, que rendeu a ele também a condenação ao pelourinho. Jornalista e agitador político, nasceu em Londres, no ano de 1660, e é considerado por muitos estudiosos o primeiro romancista inglês.