Chega de Saudade

 Que Saudade

Que saudade do Tom e do Vinícius,

Da  Garota de Ipanema que parava as ruas.

 Que saudades desses tempos que não voltam mais.

Mais agora tudo mudou  o nosso dispertador e uma rajada de A K -47

 O Cristo redentor observa a tudo  com cara de terror.

 O medo nos olha de espreita

Em cada esquina seguimos  nessa sina, de mãos dadas com  a desconfiança.

Vocês Conhecem

3. Adélia Prado (1935)

Adélia Prado

Poetisa mineira, Adélia é uma escritora da literatura brasileira contemporânea. Além de poesias, escreveu romances e contos onde explora, em grande parte, o tema da mulher.

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

4. Cora Coralina (1889-1985)

Cora Coralina

Poetisa brasileira nascida em Goiás, Cora é conhecida como a “escritora das coisas simples”. Além de poemas, ela escreveu contos e obras de literatura infantil. Sua poesia tem como grande característica os temas cotidianos.

Mulher da vida

Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.