Geração Beat

20 de dezembro de 2020 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

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Movimento Beat

Por Emerson SantiagoClique aqui para abrir o player de áudio. Sempre abrir.

Recebeu o nome de Movimento Beat ou ainda Geração Beat o grupo de jovens intelectuais americanos, (escritores, poetas, dramaturgos e boêmios em geral) que entre meados das décadas de 40 e 50 do século XX, cansados da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra, resolveram, em meio à inspiração de ambientes permeados pelo jazz, drogas, sexo livre e o conceito de “pé na estrada”, (ou seja, a exploração física do território americano) fazer sua própria revolução cultural através da literatura.

O nome que identificava o novo e controverso movimento literário, de acordo com críticos e estudiosos, fazia referência à influência direta do jazz, a principal fonte de gírias e novos termos que alimentavam o mundo da contracultura à época. A partir desta influência, cunhou-se o termo beatnik, que unia a expressão “beat” (batida ou ritmo, em inglês) somada ao sufixo “nik”, uma referência ao pioneiro satélite soviético Sputnik, lançado em 1957. De tal combinação surgiu “beatnik”, palavra que passou a identificar todo o escritor com as características descritas, de vida independente e arrojada, ocupado em conceber uma literatura com uma linguagem inteiramente nova.

Os beatniks tinham como meta constituir uma literatura que estivesse mais perto da realidade, uma poesia mais urbana e um estilo de escrever exclusivo, diferente de qualquer outro já criado.

Os principais autores deste estilo iconoclasta foram Allen Ginsberg – O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960); Jack Kerouac com Pé na estrada (On the Road, 1957); William Burroughs – Junkie (“viciado”, em português – 1953) e Almoço Nu (The Naked Lunch, 1959); Gregory Corso – “Marriege” (1960) e Gary Snyder – Riprap (1959).https://24d41757881011c6b8eb08f4b3f9cb09.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Considera-se como marco inicial do movimento um recital gratuito ocorrido na Six Gallery, localizada próximo aos guetos da cidade de San Francisco. Entre o público presente haviam negros, latinos e imigrantes, e os poemas eram de cunho político e contestador com relação aos acontecimentos da época (EUA no pós-guerra, em plena paranoia com relação à perseguição a comunistas). O evento inicial contribuiu para que sessões similares se sucedessem.

O contexto político e social nos EUA da época da Guerra Fria, no entanto, era bastante repressor e conservador, um obstáculo bastante difícil para o movimento e seus autores. A censura passou a perseguir e proibir diversas obras, que eram taxadas de subversivas, e levadas às cortes para que se processassem seus autores (caso de Naked Lunch, de William Burroughs). Os processos eram divulgados pela imprensa, que, indiretamente ajudava o novo movimento literário a adquirir popularidade e se tornar conhecido em meio ao público médio norte-americano, mesmo que, na prática, poucos tivessem o pleno conhecimento e entendimento da verdadeira intenção por trás das obras de Kerouac e compania. Hoje, tais livros são bastante celebrados e considerado