Para quem não conhece um pouco de Augusto dos Anjos prá vocês

15 de janeiro de 2021 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

Augusto dos Anjos, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. É por isso que classificamos o poeta juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.

Mesclando termos filosóficos embebidos em puro pessimismo e vocabulário científico, que raramente seriam encontrados em textos poéticos, Augusto dos Anjos escreveu uma poesia violenta, visceral, atravessada por uma angústia cósmica, por uma eterna lembrança sepulcral.

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Biografia de Augusto dos Anjos
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 20 de abril de 1884, no Engenho Pau D’Arco, Vila do Espírito Santo, atual município de Sapé, na Paraíba. Filho de antigos senhores de engenho, o poeta vivenciou, desde a infância, a lenta decadência de sua família. O pai, bacharel em Direito, ensinou-lhe as primeiras letras até seu ingresso no Liceu Paraibano para cursar o ensino secundário.

Em 1903, matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife. Nesse período, começou a publicar alguns poemas no jornal paraibano O Comércio. Os versos chamaram a atenção dos leitores, principalmente de maneira negativa: o poeta foi tido como histérico, desequilibrado, neurastênico, qualidades que lhe seriam atribuídas ao longo da vida. Na Paraíba, foi apelidado de “Doutor Tristeza”.

Formado em 1907, Augusto dos Anjos nunca exerceu a profissão de advogado ou magistrado. Foi de Recife para a capital paraibana, onde passou a lecionar Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Em 1910, casou-se com Ester Fialho, com quem teve três filhos – o primeiro deles morreu ainda recém-nascido.

Augusto dos anjos – o poeta ligado à temática da morte e da podridão