Movimentos Literários

22 de abril de 2021 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

TERATURA BRASILEIRA
Modernismo no Brasil
Daniela Diana Daniela Diana Professora licenciada em Letras
O modernismo no Brasil foi um movimento artístico, cultural e literário que se caracterizou pela liberdade estética, o nacionalismo e a crítica social.

Inspirado pelas inovações artísticas das vanguardas europeias (cubismo, futurismo, dadaísmo, expressionismo e surrealismo), ele teve como marco inicial a Semana de Arte Moderna, que aconteceu entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo.

No país, o cenário era de insatisfação, pois muitas pessoas consideravam a política, a economia e a cultura estagnadas. Parte disso estava relacionado com o modelo político vigente baseado na política do café com leite.

Com o poder concentrado nas mãos de grandes fazendeiros, paulistas e mineiros se revezavam no poder. Isso ocorreu até 1930, quando um golpe de estado depôs o presidente Washington Luís, pondo fim à República velha.

Foi nesse cenário de incertezas que um grupo de artistas, empenhados em propor uma renovação estética na arte, apresentam um novo olhar, mais libertário, contrário ao tradicionalismo e o rigor estético.

Assim, surge a Semana de Arte Moderna, liderada pelo chamado “Grupo dos cinco”: Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

Esse evento, que reuniu diversas apresentações e exposições, colaborou com o surgimento de revistas, manifestos, movimentos artísticos e grupos com experimentações estéticas inovadoras. Tudo isso permitiu consolidar as ideias modernistas e inaugurar o movimento no país.

Contexto histórico do modernismo no Brasil
O modernismo no Brasil surge logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que levou a morte de milhares de pessoas, a destruição de diversas cidades e a instabilidade política e social.

Assim, numa tentativa de reestruturar o país politicamente, e também o campo das artes – estimulado pelas vanguardas europeias -, encontra-se a motivação para romper com o tradicionalismo.

No país, o movimento modernista surgiu na segunda fase da República velha (1889-1930), chamada de República das Oligarquias ou República do café com leite. Nesse contexto, o poder era revezado entre paulistas e mineiros e dominado por aristocratas fazendeiros.

Em decorrência disso e do aumento da inflação que fazia aumentar a crise e propulsionava greves e protestos, o momento era de insatisfação. Ao mesmo tempo, o movimento tenentista ganhava força e tentava derrubar o esquema das oligarquias, cujo poder estava concentrado nas mãos das elites agrárias tradicionais.

Algumas revoltas que aconteceram nesse momento pelos tenentistas foram: a revolta do forte de Copacabana, em julho de 1922, no Rio de Janeiro; a revolta paulista de 1924, que ocorreu na cidade de São Paulo; e a Coluna Prestes (1925-1927). Todos elas reivindicavam o fim da República Velha e do sistema oligárquico.

A crise econômica gerada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929, acelerou esse processo e essa mudança foi alcançada com a Revolução de 30. Assim, um golpe de estado depôs o presidente Washington Luís e marcou o fim da República velha. Começa, então, a Era Vargas que durou até 1945, ano que termina da Segunda Guerra Mundial.

Leia mais sobre o Modernismo no Brasil: características e contexto histórico.

Fases do modernismo no Brasil
O modernismo no Brasil foi um longo período (1922-1960) que reuniu diversas características e obras, por isso, esteve dividido em três fases, também chamadas de gerações:

Primeira fase modernista (1922-1930) – a fase heroica ou de destruição
Segunda fase modernista (1930-1945) – a fase de consolidação ou geração de 30
Terceira fase modernista (1945-1960) – a geração de 45
Primeira fase modernista no Brasil (1922-1930)
A primeira fase do modernismo esteve voltada para a busca de uma identidade nacional. Nesse momento, diversos artistas aproveitaram a agitação causada pela semana de arte moderna para romper com os modelos preconcebidos que, segundo eles, eram limitados e impediam a criatividade.

Inspirado nas ideias das vanguardas artísticas europeias, os artistas buscam uma renovação estética. Por esse motivo, ela é conhecida como a “fase heroica”, sendo a mais radical de todas. É também chamada de “fase de destruição”, pois propunha a destruição dos modelos que vigoravam no cenário artístico-cultural do país.

A consolidação de uma arte genuinamente brasileira possibilitou a valorização da cultura e do folclore. Junto a isso, os artistas estabelecem a liberdade formal, rompendo com a sintaxe e utilizando uma linguagem mais coloquial para se aproximar da fala cotidiana.

Muitas revistas e manifestos foram criados, o que fez surgir alguns movimentos, dos quais se destacam: o movimento pau-brasil, o movimento antropofágico, o movimento regionalista e o movimento verde-amarelo.

Saiba mais sobre cada um dos movimentos modernistas da primeira fase:

Movimento Pau-Brasil
Movimento Antropofágico
Grupo modernista-regionalista de Recife
Movimento Verde-Amarelo e a Escola da Anta
Características da primeira fase modernista
fase mais radical e nacionalista;
busca de uma identidade nacional;
maior liberdade formal com rupturas da sintaxe;
presença de regionalismos e linguagem informal;
valorização do folclore, arte e cultura popular brasileira;
uso de versos livres, que não possuem métrica (medida);
uso de versos brancos, com ausência de rimas;
utilização do sarcasmo e da ironia.
Saiba mais sobre a Semana de arte moderna.

Autores e obras da primeira fase modernista
Os escritores e as obras mais relevantes da primeira geração modernista, foram:

Mario de Andrade (1893-1945) – Obras: Paulicéia Desvairada (1922), Amar, Verbo Intransitivo (1927) e Macunaíma (1928).
Oswald de Andrade (1890-1954) – Obras: Os condenados (1922), Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) e Pau Brasil (1925).
Manuel Bandeira (1886-1968) – Obras: A cinza das horas (1917), Carnaval (1919) e Libertinagem (1930).
Confira abaixo um trecho do poema de Manuel Bandeira que representa a posição dos modernistas nessa primeira fase:

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas

(…)

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.