Um pouco de Pablo Neruda

26 de julho de 2021 Off Por Pedro Taunay Graça Couto

amor, outros de paixão, não importa: a verdade é que a intensidade de um amor pode ser tão forte que deixa a gente desnorteado, a ponto de perdemos o chão e não conseguirmos explicar o porquê amamos tanto aquela pessoa. Ele pode chegar sem avisar, ou pode ser tão antigo quanto tempo, mas é aquele amor que consome. É sobre isso que Neruda fala abaixo:

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te diretamente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira. Pablo Neruda
SONETO XVII

(…)

Amo-te como a planta que não floriu e tem

dentro de si, escondida, a luz das flores,

e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo

o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,

amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:

amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,

tão perto que a tua mão no meu peito é minha,

tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda

SONETO XI

Tenho fome da tua boca, da tua voz, do teu cabelo,

e ando pelas ruas sem comer, calado,

não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,

busco no dia o som líquido dos teus pés.

(…)

Estou faminto do teu riso saltitante,

das tuas mãos cor de furioso celeiro,

(…)

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo

à tua procura, procurando o teu coração ardente

como um puma na solidão de Quitratue.

Pablo Neruda