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    O Poeta de hoje é Adélia Prado

    Biografia de Adélia Prado

    Adélia Prado nasceu em Divinópolis, no estado de Minas Gerais, em 13 de dezembro de 1935. De origem pobre, seu pai era ferroviário; e sua mãe, dona de casa. Foi alfabetizada no Grupo Escolar Padre Matias Lobato. Em seguida, por meio de uma bolsa de estudos, ingressou no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração.

    Mais tarde, em 1950, ficou órfã de mãe. Como era a irmã mais velha, ficou responsável por cuidar da casa e dos irmãos. No ano seguinte, começou a estudar Magistério e se formou em 1953. No ano de 1955, iniciou sua carreira de professora em uma escola pública estadual. O casamento com o bancário José Assunção de Freitas ocorreu em 1958.

    Em seguida, moraram por algum tempo em Governador Valadares. Em 1965, Adélia ingressou no curso de Filosofia em sua cidade natal. Publicou seu primeiro livro — Bagagem — em 1976. Para essa publicação, teve apoio dos escritores Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Affonso Romano de Sant’Anna (1937-).

    Antes, porém, de publicar seu primeiro livro, a autora publicou textos em periódicos como A Semana e Gazeta de Minas. Em 1978, publicou O coração disparado, livro que lhe rendeu o prêmio Jabuti desse ano. Adélia Prado atuou como professora até 1979, quando decidiu se dedicar mais à literatura.

    Foi diretora do grupo teatral Cara e Coragem, em Divinópolis, a partir de 1980. No ano de 1983, passou a chefiar a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, cargo que manteve até 1988. Já em 2014, ganhou o prêmio canadense Lifetime Recognition. Em 2024, foi a vencedora dos famosos prêmio Machado de Assis e Camões.

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    Nessa Pressa

     Nessa pressa que nos consome, as cidades não nos esperam. A solidão que nos devora. O formigueiro humano segue com a sua desmedida ambição. Ninguém repara mais na miséria em cada esquina, indiferentes a dor alheia. Não ninguém para mais para sentir   a delicadeza de um poema, ou a inocência de uma flor

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    O Poeta de Hoje é Mia Couto

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    Márcia Fernandes

    Márcia Fernandes

    Professora de Língua Portuguesa e Literatura

    Mia Couto é um escritor moçambicano que foi considerado autor de um dos melhores livros africanos do século XX.

    Conhecido em vários países do mundo, sua obra literária é composta por poemas, contos, crônicas e romances. Nela, além de incluir a sua crítica social e política, o autor dá mostras do quanto valoriza as suas tradições.

    Os prêmios nacionais e internacionais recebidos são reconhecimento da riqueza do seu trabalho literário.

    O escritor que dá voz à África conquistou o lugar de sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a cadeira nº 5, cujo patrono é Dom Francisco de Sousa.

    Poemas de Mia Couto

    Saudade

    Que saudade
    tenho de nascer.
    Nostalgia
    de esperar por um nome
    como quem volta
    à casa que nunca ninguém habitou.
    Não precisas da vida, poeta.
    Assim falava a avó.
    Deus vive por nós, sentenciava.
    E regressava às orações.
    A casa voltava
    ao ventre do silêncio
    e dava vontade de nascer.
    Que saudade
    tenho de Deus.”

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    Mia Couto


    o sabor do sempre 

    Para ti dei voz 
    às minhas mãos 
    abri os gomos do tempo 
    assaltei o mundo 
    e pensei que tudo estava em nós 
    nesse doce engano 
    de tudo sermos donos 
    sem nada termos 
    simplesmente porque era de noite 
    e não dormíamos 
    eu descia em teu peito 
    para me procurar 
    e antes que a escuridão 
    nos cingisse a cintura 
    ficávamos nos olhos 
    vivendo de um só 
    amando de uma só vida. 

    Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas” 

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    A Demora

    O amor nos condena: 
    demoras 
    mesmo quando chegas antes.
    Porque não é no tempo que eu te espero.

    Espero-te antes de haver vida
    e és tu quem faz nascer os dias.

    Quando chegas
    já não sou senão saudade
    e as flores
    tombam-me dos braços
    para dar cor ao chão em que te ergues.

    Perdido o lugar
    em que te aguardo,
    só me resta água no lábio
    para aplacar a tua sede.

    Envelhecida a palavra, 
    tomo a lua por minha boca
    e a noite, já sem voz
    se vai despindo em ti.

    O teu vestido tomba
    e é uma nuvem.
    O teu corpo se deita no meu,
    um rio se vai aguando até ser mar

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    Raul Bopp (1898-1984)

    Poeta modernista brasileiro, Raul nasceu no Rio Grande do Sul. Participou da Semana de Arte Moderna que inaugurou o movimento modernista no Brasil. Além de poemas, Bopp também escreveu crônicas

    Cobra Norato (trecho da obra)

    Um dia
    ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.

    Vou andando, caminhando, caminhando;
    me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.
    Depois
    faço puçanga de flor de tajá de lagoa
    e mando chamar a Cobra Norato.

    — Quero contar-te uma história:
    Vamos passear naquelas ilhas decotadas?
    Faz de conta que há luar.

    A noite chega mansinho.
    Estrelas conversam em voz baixa.

    O mato já se vestiu.
    Brinco então de amarrar uma fita no pescoço
    e estrangulo a cobra.

    Agora, sim,
    me enfio nessa pele de seda elástica
    e saio a correr mundo:

    Vou visitar a rainha Luzia.
    Quero me casar com sua filha.

    — Então você tem que apagar os olhos primeiro.
    O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.
    Um chão de lama rouba a força dos meus passos.

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    Mario Quintana (1906-1994)

    Poeta brasileiro nascido no Rio Grande Sul, Mario é conhecido por ser o “poeta das coisas simples”. Considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX, teve grande destaque na segunda fase do modernismo no Brasil. Sua obra poética explora temas como o amor, o tempo e a natureza.

    Os Poemas

    Os poemas são pássaros que chegam
    não se sabe d onde e pousam
    no livro que lês

    Quando fechas o livro, eles alçam voo
    como de um alçapão.
    Eles não têm pouso
    nem porto
    alimentam-se um instante em cada par de mãos
    e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
    no maravilhado espanto de saberes
    que o alimento deles já estava em ti…

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    Vinicius de Moraes (1913-1980)

    Poeta e compositor brasileiro carioca, Vinicius foi um dos precursores da bossa nova no Brasil. Teve grande destaque na poesia de 30, na segunda fase do modernismo no Brasil. Seus poemas têm como temática o amor e o erotismo.

    Soneto de Fidelidade

    De tudo, ao meu amor serei atento antes
    E com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento

    E assim quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure

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    Ferreira Gullar (1930-2016)

    Poeta brasileiro contemporâneo e precursor do movimento neoconcreto, Gullar nasceu em São Luís do Maranhão. É considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX, dono de uma obra social, radical e engajada.

    Posts

    Publicado emEditar “Portas Abertas”

    Portas Abertas

    Clique na imagem abaixo e aproveitem o melhor conteúdo de poesias de Pedro Taunay…

    Publicado emEditar “Sob o Luar”

    Sob o Luar

    Publicado emEditar “Hilda Hilst (1930-2004)”

    Hilda Hilst (1930-2004)

    Poetisa brasileira nascida em Jaú, no interior de São Paulo. Hilda é considerada uma das maiores escritoras do século XX do Brasil. Além de poemas, ela escreveu crônicas e obras de dramaturgia.

    Tateio

    Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
    O fundo sortilégio da omoplata.
    Matéria-menina a tua fronte e eu
    Madurez, ausência nos teus claros
    Guardados.

    Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
    Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
    Esta fronte que é minha, prodigiosa
    De núpcias e caminho
    É tão diversa da tua fronte descuidada.

    Tateio. E a um só tempo vivo
    E vou morrendo. Entre terra e água
    Meu existir anfíbio. Passeia
    Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
    Noturno girassol. Rama secreta.

    Publicado emEditar “Cora Coralina (1889-1985)”

    Cora Coralina (1889-1985)

    Poetisa brasileira nascida em Goiás, Cora é conhecida como a “escritora das coisas simples”. Além de poemas, ela escreveu contos e obras de literatura infantil. Sua poesia tem como grande característica os temas cotidianos.

    Mulher da vida

    Mulher da Vida,
    Minha irmã.
    De todos os tempos.
    De todos os povos.
    De todas as latitudes.
    Ela vem do fundo imemorial das idades
    e carrega a carga pesada
    dos mais torpes sinônimos,
    apelidos e ápodos:
    Mulher da zona,
    Mulher da rua,
    Mulher perdida,
    Mulher à toa.
    Mulher da vida,
    Minha irmã.

    Publicado emEditar “Adélia Prado (1935)”

    Adélia Prado (1935)

    Poetisa mineira, Adélia é uma escritora da literatura brasileira contemporânea. Além de poemas, escreveu romances e contos, onde explora, em grande parte, o tema da mulher.

    Com licença poética

    Quando nasci um anjo esbelto,
    desses que tocam trombeta, anunciou:
    vai carregar bandeira.
    Cargo muito pesado pra mulher,
    esta espécie ainda envergonhada.
    Aceito os subterfúgios que me cabem,
    sem precisar mentir.
    Não sou feia que não possa casar,
    acho o Rio de Janeiro uma beleza e
    ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
    Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
    Inauguro linhagens, fundo reinos
    — dor não é amargura.
    Minha tristeza não tem pedigree,
    já a minha vontade de alegria,
    sua raiz vai ao meu mil avô.
    Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
    Mulher é desdobrável. Eu sou.

    Publicado emEditar “Só Poesia”

    Só Poesia

    6. Cecília Meireles (1901-1964)

    Cecília Meireles

    Poetisa brasileira carioca, Cecília é uma das primeiras mulheres a ter grande destaque na literatura brasileira. Foi escritora da segunda fase do modernismo no Brasil. Seus poemas apresentam caráter intimista, com forte influência da psicanálise e da temática social.

    Motivo

    Eu canto porque o instante existe
    e a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste:
    sou poeta.

    Irmão das coisas fugidias,
    não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias
    no vento.

    Se desmorono ou se edifico,
    se permaneço ou me desfaço,
    — não sei, não sei. Não sei se fico
    ou passo.

    Sei que canto. E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno a asa ritmada.
    E um dia sei que estarei mudo:
    — mais nada.

    7. Manuel Bandeira (1886-1968)

    Manuel Bandeira

    Poeta brasileiro pernambucano, Manuel teve grande destaque na primeira fase do modernismo no Brasil. Além de poemas, escreveu também obras em prosa. Com grande lirismo, sua obra versa sobre temas do cotidiano e da melancolia.

    Desencanto

    Eu faço versos como quem chora
    De desalento… de desencanto…
    Fecha o meu livro, se por agora
    Não tens motivo nenhum de pranto.

    Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
    Tristeza esparsa… remorso vão…
    Dói-me nas veias. Amargo e quente,
    Cai, gota a gota, do coração.

    E nestes versos de angústia rouca
    Assim dos lábios a vida corre,
    Deixando um acre sabor na boca.

    – Eu faço versos como quem morre.

    8. Manoel de Barros (1916-2014)

    Manoel de Barros

    Considerado um dos maiores poetas brasileiros, Manuel de Barros nasceu no Mato Grosso. Foi grande destaque na terceira fase do modernismo no Brasil, chamada “Geração de 45”. Em sua obra focou nos temas do cotidiano e da natureza.

    Os deslimites da palavra

    Ando muito completo de vazios.
    Meu órgão de morrer me predomina.
    Estou sem eternidades.
    Não posso mais saber quando amanheço ontem.
    Está rengo de mim o amanhecer.
    Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
    Atrás do ocaso fervem os insetos.
    Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
    destino.
    Essas coisas me mudam para cisco.
    A minha independência tem algemas

    9. Ferreira Gullar (1930-2016)

    Ferreira Gullar

    Poeta brasileiro contemporâneo e precursor do movimento neoconcreto, Gullar nasceu em São Luís do Maranhão. É considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX, dono de uma obra social, radical e engajada.

    Não Há Vagas

    O preço do feijão
    não cabe no poema. O preço
    do arroz
    não cabe no poema.
    Não cabem no poema o gás
    a luz o telefone
    a sonegação
    do leite
    da carne
    do açúcar
    do pão

    O funcionário público
    não cabe no poema
    com seu salário de fome
    sua vida fechada
    em arquivos.
    Como não cabe no poema
    o operário
    que esmerila seu dia de aço
    e carvão
    nas oficinas escuras

    – porque o poema, senhores,
    está fechado:
    “não há vagas”

    Só cabe no poema
    o homem sem estômago
    a mulher de nuvens
    a fruta sem preço

    O poema, senhores,
    não fede
    nem cheira